CLIMA

    Introdução
    Uma das maiores preocupações atuais dos cientistas na área de estudos climáticos e ambientalistas do mundo todo é a manutenção do equilíbrio térmico da atmosfera terrestre, gradativamente comprometido pelas atividades industriais e pela queima em grande escala da biomassa da terra.
    Os efeitos danosos ao ambiente gerados pelo dejeto de resíduos do processo industrial gerado pelo desenvolvimento atingem vários bens ambientais, entre eles o ar, mais precisamente a atmosfera.
    Só para citar já um destes problemas, podemos mencionar o problema com o ozônio que é um dos gases que existem na atmosfera. O ozônio impede a penetração livre e em grande escala dos raios ultravioletas que fazem mal a vida animal. Entretanto a camada de ozônio vem sofrendo diminuição em pelo crescimento de gases como o CFC (clorofluorcarbono) e o dióxido de carbono CO2, ambos produzidos pelo homem, aquele em laboratório e este como resultado da queima de combustíveis fósseis, principalmente, os quais acabam consumindo o ozônio, criando uma espécie de “buraco na atmosfera” conhecido como “buraco de ozônio”, por onde os raios ultravioleta passam com alto grau de perigo para os seres vivos.

    Pela ordem decrescente de limpeza podemos elencar a utilização do gás, do petróleo e do carvão como produtores de poluição atmosférica.
   Todos eles, entretanto, colaboram para três grandes problemas: o aquecimento global, a poluição urbano-industrial do ar e a acidificação do meio ambiente.

   Classificação, fontes e fatores de poluição
   A poluição do ar é classificada em: poluição pelos detritos industriais;  poluição pelos pesticidas; e poluição radioativa.
   Fontes de poluição atmosférica são:  fixas (indústrias, hotéis, lavanderias etc.);  móveis (veículos automotores, aviões, navios trens etc.)
  Fatores que causam a poluição do ar:
- fatores naturais: são aqueles que têm causas nas forças da natureza, como tempestades de areia, queimadas provocadas por raios e as atividades vulcânicas;
- fatores artificiais: são aqueles causados pela atividade do homem, como a emissão de combustíveis de automóveis, queima de combustíveis fósseis em geral, materiais radioativos, queimadas etc.

   Poluentes mais comuns do ar e suas principais fontes:
 

Poluentes Principais fontes (precursores)
Hidrocarbonetos  Emissões de veículos, refinarias de petróleo e vegetação
Sulfetos Usinas termoelétricas, fornos a carvão, metalúrgicas, vulcanização, indústria de fertilizantes e pântanos
Mercaptanas Refinarias de petróleo e indústrias de celulose
Hidrocarbonetos clorados Pesticidas, lavanderias e propelentes de aerossóis
Dióxido de enxofre Combustões, olarias, usinas termoelétricas, refinarias de petróleo, usinas de ferro/aço, indústria de fertilizantes e plantas
Óxidos de nitrogênio Emissões de veículos, indústria de fertilizantes
Ácido nítrico Conversão do NO2
Monóxido de carbono Emissões de veículos e oxidação de terpenos (vegetação)
Dióxido de carbono Combustões em geral/emissões de veículos
Amônia  Fábrica de fertilizantes e de amônia
Ozônio Na troposfera, principalmente: hidrocarbonetos + óxidos de nitrogênio + luz
Material particulado (poeiras) Emissões de veículos, refinarias de petróleo, usinas a gás, geração de eletricidade, incinerações-fábricas de cimento, cerâmicas, estufas e carvão, fornos e, entre outras, conversão gás-partícula
             (Fonte: O que é poluição química. Joel Arnaldo Pontin e Sergio Massaro. Ed. Brasiliense, 1993).

    Além destes poluentes, dezenas de produtos químicos tóxicos são encontrados ao redor das regiões urbanas, principalmente nos grandes centros urbanos, ou grandes cidades, pois quanto maior a cidade mais diversidade de atividades existe.
    As mais graves conseqüências da poluição atmosférica podemos citar a chuva ácida, o efeito estufa e a diminuição da camada de ozônio.

   Fenômenos relativos à poluição atmosférica
   -Chuva ácida :
    A chuva será considerada ácida quando tiver um pH inferior a 5,0, ocorrendo não apenas sob a forma de chuva, mas também como neve, geada ou neblina.
    Decorre da queimada de combustíveis fósseis, produzindo gás carbônico, formas oxidadas de carbono, nitrogênio e enxofre. Outro componente da chuva ácida é o ácido nítrico gerado dos óxidos de nitrogênio nas emissões de combustão fóssil. A chuva ácida pode ser conduzida pelos ventos a centenas de quilômetros atingindo florestas, cidades e campos longe de onde foi produzidos seus agentes poluidores. Esses gases, quando liberados para a atmosfera, podem ser tóxicos para os organismos.
O dióxido de enxofre provoca a chuva ácida quando se combina com a água presente na atmosfera, sob a forma de vapor. As gotículas de ácido sulfúrico resultantes dessa combinação geram sérios danos às áreas atingidas.
    Além dos sérios danos ao meio ambiente natural, as chuvas ácidas também constituem séria ameaça ao patrimônio cultural da humanidade, corroendo as obras talhadas em mármore, que por ser uma rocha calcária, dissolve-se sob a ação de substâncias ácidas.

   -Efeito estufa:
    É o aumento da temperatura média da Terra, que ocorre pelo aumento considerável na concentração de gás carbônico na atmosfera, provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis e desmatamentos, formando assim uma espécie de “coberta” sobre a Terra impedindo a expansão do calor.
   O crescente aumento do teor do gás carbônico na atmosfera faz com que a temperatura da Terra esteja em constante crescimento, o que pode ocasionar grandes distúrbios climáticos.
    Os gases metano (CH4), clorofluorcarboneto (CFCs), ozônio e óxido nitroso (N2O) também contribuem para o aquecimento  global.

   - Diminuição da camada de ozônio:
    O ozônio está presente na troposfera, que é a camada da atmosfera em que vivemos, e também em zonas mais altas da estratosfera, entre 12 e 50 km de altitude, onde tem a maior concentração que é conhecida como “camada de ozônio” tendo como função proteger o planeta da incidência direta de grande parte dos raios ultravioleta, que é um dos componentes da radiação solar.
    Conseqüências principais: com a diminuição dessa camada de ozônio, os raios ultravioletas atingem a Terra de forma mais brusca, provocando graves doenças no ser humano, como câncer de pele, distúrbios cardíacos e pulmonares, queimaduras, problemas de visão etc., gerados principalmente pela radiação ultravioleta UV-B, a mais prejudicial ao homem.
    O ambiente também é diretamente atingido pelas modificações na cadeia alimentar, visto que certas espécies de animais e plantas são extremamente sensíveis a essa radiação, como os anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas). Além disso, a destruição desta camada de ozônio pode contribuir com o derretimento de parte do gelo da calota polar, causando o superaquecimento do planeta.
   Causas: uma das grandes causas da diminuição da camada de ozônio tem sido a liberação de compostos químicos industriais na atmosfera, denominados de CFC (clorofluorcarbono), que é um gás não tóxico, inodoro, e quimicamente inerte. É usado em grande escala como agente refrigerador de geladeiras e aparelhos de ar condicionado, na manufatura de espumas de plástico e principalmente como propelente de sprays enlatados, e sua inércia química torna-o capaz de atingir grandes altitudes sem se modificar, até alcançar a estratosfera, onde a radiação ultravioleta provinda do Sol provoca a sua quebra. O cloro é liberado, reagindo com o ozônio, e desmembrando-o em uma molécula e um átomo de oxigênio.
  Curiosidade: a palavra ozônio vem do grego ozein que quer dizer mau cheiro.

   Névoa densa
    A névoa densa é um fenômeno climático originado pela concentração de uma variedade de produtos químicos, em especial o ozônio e o nitrato peroxiacetil (NPA) e é formada quando a fonte de luz do sol age sobre a mistura de óxidos nitrogenados e compostos orgânicos voláteis.
    Este fenômeno produzidos principalmente pelos carros e caminhões vem ocorrendo em cidades como México e São Paulo
(fonte: Manual Global de Ecologia, Walter H. Corson, Ed. Augustus, 1996).

   Fenómeno natural:
    El niño.
    Este fenômeno atmosférico não tem relação com a poluição.
    O El niño quando há um aumento anormal de temperatura da superfície do mar no Pacífico-Leste. Uma de suas conseqüências é a diminuição do potencial pesqueiro da região atingida, aumento de temperaturas, desequilíbrio climático com influências nos processos hídricos como quantidade de chuvas, formação de nuvens entre outros, influído assim em vários campos de atividades humanas como por exemplo na  agricultura.

   Protocolo de Kyoto
    O Protocolo de Kyoto foi firmado em 1997, por 157 países, tendo sido originado da Convenção sobre Mudanças Climática realizada em 1992, na Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio92, onde resolveu-se estabilizar as emissões de gases efeito estufa, para permitir o desenvolvimento sustentável preconizado na Agenda 21.
    A meta principal do citado protocolo é reduzir em 5,2% a emissão de gases estufa até o ano 2012, partindo-se dos níveis de 1990, ou seja estagnar a emissão destes gases aos níveis do citado ano.
Neste mês de julho de 2001, realizou-se a Conferência sobre Mudanças Climática, em Bonn, Alemanha, na qual os EUA não aderiram.
    O problema é que os Estados Unidos é considerado o país mais poluidor do mundo, com cerca de 25% da poluição de gases estufa, de forma que as metas pretendidas podem ficar comprometidas, principalmente porque outros países por interesses econômicos venham a acompanhar a negativa dos EUA.
    Foi estabelecido nesta conferência o “comércio de emissões” onde os países em desenvolvimento com emissões abaixo do permitido podem vender suas “cotas de emissão” aos países industrializados que podem também trocar por plantações de florestas nestes países em desenvolvimento como “sumidouros de carbono”

    Os 10 maiores emitentes de dióxido de carbono na atmosfera:
1º EUA; 2º China; 3º Rússia; 4º Japão; 5º Alemanha; 6º Índia; 7º Grã-Bretanha; 8º Canadá; 9º Itália; 10º Coréia.

    Agenda 21.
    Capítulo 9. Proteção da atmosfera
    A Agenda 21 trata no capítulo 9 da proteção da atmosfera e da transição energética, trazendo muitas recomendações, entre as quais:
- que sejam promovidas pesquisas nestas áreas identificando os níveis de poluição,
- que haja capacitação científica e intercâmbio de informações,
- sejam desenvolvidas tecnologias de redução de poluentes, conservação e recuperação dos recursos naturais
- haja fortalecimento dos acordos regionais para o controle da poluição e ainda
- sejam criados sistemas de repressão à poluição industrial.

   Seqüestro de carbono
    O sistema de diminuição de poluição atmosférica conhecido como “seqüestro biológico” ou “sumidouros de carbono”  está na pauta das discussões planetárias sobre poluição climática, principalmente nos encontros sobre o Protocolo de Kyoto.

    Este sistema funciona da seguinte forma:
1- A planta ao fazer a fotossíntese – que é o resultado da transformação da energia solar em energia química - absorve dióxido de carbono (CO2).
2 – O carbono fixa-se nas raízes, caule e folhas da planta -em sua biomassa- e neste processo libera o oxigênio no ar.
3 – As floresta em fase de crescimento, como as florestas tropicais, acabam absorvendo grandes quantidades de CO2 , formando assim “sumidouros” ou “ralos” de carbono, contribuindo para absorver da atmosfera este gás poluidor emitido pela queima de combustíveis fósseis (fabricas, veículos etc).

   Conclusão
    A questão climática tornou-se uma dos mais importantes e discutidos temas na atualidade, trazendo à mesa de negociação planetária os mais iminentes cientistas, autoridades e ambientalistas.
    Longe de se resolver toda a problemática da poluição climática, estamos a caminho de conseguir encontrar meios de diminuir os riscos que nós mesmos produzimos. São infindáveis estudos, projetos e programas que visam encontrar saídas para evitar o caos que se anuncia.
    Somente como o conhecimento científico dos processos de poluição, vontade política de resolver o problema, educação ambiental, legislação forte e muitos projetos e programas efetivamente colocados emprática é que poderemos ter a esperança de conseguirmos ter um planeta com um meio ambiente sadio e passível de manter a vida global equilibrada.

   Sites sobre a temática

http://www.mct.gov.br/clima/quioto/protocol.htm

http://www.ozonio.crn.inpe.br

http://www.wri.org/wri/climate

http://www.geocities.com/Augusta/7135/

http://www.wunderground.com

http://weather.nmsu.edu

http://www.ipcc.ch/

http://www.brasgreco.com/weather

http://www.meteo.pt

http://www.solid.com.br/informacoes/clima/clima.asp

http://www.eren.doe.gov/climatechallenge/

http://www.greeningearthsociety.org/climate/

http://iri.ldeo.columbia.edu/

http://www.mct.gov.br/clima/

http://www.msantunes.com.br/juizo/oclima.htm

http://www.pewclimate.org/

http://www.thiesclima.com/ind1e.htm

http://www.unfccc.de/
 

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Texto: Antônio Silveira Ribeiro dos Santos
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