CONTOS
O MARCIANO E O PATRIARCA DA FLORESTA

A nave espacial marciana M6 ao passar pela Terra teve problemas técnicos
e desceu em nosso planeta.Escolheu um lugar ermo na floresta, por motivos
óbvios.
O pouso foi na região de Santa Rita de Passa Quatro, S.Paulo. Era
uma noite quente e estrelada, e enquanto os técnicos de bordo consertavam
a nave, o comandante Thafel M6 foi fazer um reconhecimento, quando estupefado
encontrou um extraordinário jequitibá rosa de 40 metros de altura
e cerca de 3.000 anos de idade.
Estava ele à frente do Patriarca da Floresta, talvez uma das mais
antigas árvores do Brasil. e conseqüentemente um dos mais antigos
organismos vivos da Terra.
Causou grande surpresa àquele experiente ser do espaço, quando
a extraordinária árvore dirigi-lhe a palavra e os dois começaram
a dialogar.
A pedido de Thafel M6, o Patriarca da Floresta começou a relatar
a história da evolução humana. Contou que os homens
criaram várias teses filosóficas começando com os
gregos Sócrates, Platão e Aristóteles; criaram as religiões;
criaram as teorias evolucionistas; criaram a tecnologia e a bomba atômica,
criando o poder de auto destruir.
De cima de sua frondosa copa viu os homens escravizarem-se uns aos outros.
Presenciou tristemente as guerras; homens foram amarrados e açoitados
em seu tronco; outros morreram enforcados dependurados em seus braços.
E nada podia fazer. Teve que assistir a tudo passivamente. Por meio de
suas folhas, inúmeras vezes chorou em forma de orvalho.
O Patriarca da Floresta suplicou ao alienígena: Peço que
interceda na razão humana e mostre aos homens os caminhos da sabedoria,
harmonia e fraternidade, para que não sofram mais.
Respondeu o marciano: Infelizmente nada posso fazer, pois não há
possibilidade de nos comunicarmos. A única esperança é
de que o próprio ser humano se conscientize de sua situação
e responsavelmente adote ações concretas para a sua salvação.
Terminado o diálogo, o marciano voltou para sua nave e seguiu viagem.
Então o Patriarca da Floresta, como todas as outras árvores,
continuou chorando pela tristeza de ver um outro ser no caminho inconsciente
da autodestruição
São Paulo , outubro de 1995.
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Texto: Antonio Silveira R. dos Santos
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