DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Palavras chaves: necessidades e limitações
Diretrizes:
Portanto, as diretrizes principais para se alcançar o desenvolvimento
sustentável estão na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento (Comissão Brundtland) e na Agenda 21.
Recomendações
para um efetivo desenvolvimento sustentável:
O
relatório Brundtland apresentou uma lista geral de medidas que os
Estados deveriam tomar, que são as seguintes:
-
limitação do crescimento populacional;
-
garantia de alimentação a longo prazo;
-
preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
-
diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias
que admitem o uso de fontes energéticas renováveis; aumento
da produção industrial nos países não-industrializados
à base de tecnologias ecologicamente adaptadas;
-
controle da urbanização selvagem e integração
entre campo e cidades menores; as necessidades básicas devem ser
satisfeitas.
Assim,
podemos elencar em suma as seguintes recomendações:
1
-Em nível internacional (política externa):
-
criação de um clima de cooperação e solidariedade
internacionais com efetivas ações;
-
criação de um ambiente econômico dinâmico e propício
as nova políticas ambientais;
-
apoio recíproco entre comércio e meio ambiente;
-
estimular políticas macroeconômicas mais favoráveis
ao meio ambiente.
2 -
Em nível nacional (política interna):
-
desenvolver uma adequada educação ambiental nas escolas públicas
e privadas do país;
-
estabelecer um plano nacional e mesmo internacional de intercâmbio
de conhecimentos técnicos específicos na área ambiental;
-
fortalecer as instituições públicas que tem o poder-dever
de fiscalizar a preservação do meio ambiente;
-
rever a legislação, adequando-a à nova realidade e
aos anseios mundiais de preservação ambiental;
-
desenvolver amplos estudos dos recursos naturais existentes, instituindo
parques e reservas ecológicas, conservando e dando meios aos já
existentes, fortalecendo suas condições de sustento;
-
estimular os meios de comunicação no sentido de divulgação
de matérias ambientais ou correlatas;
-
direcionar o desenvolvimento industrial mediante incentivos fiscais, propiciando
a criação de pólos industriais em áreas de
menos impacto ambiental possível;
-
desenvolver uma educação sexual adequada aos parâmetros
atuais de ocupação demográfica;
-
incentivar práticas agrícolas que preservem o meio ambiente,
fornecendo condições especiais de financiamento e escoamento
dos produtos, criando simultaneamente órgãos fiscalizadores
efetivos e atuantes para a realização dos projetos, evitando
assim desvio de finalidade.
-
a utilizar na agricultura do sistema de rodízio de áreas
pré-determinadas, evitando o esgotamento da terra e a desertificação;
-
elaborar planos nacionais de ocupação territorial para as
comunidades marginalizadas e carentes, observando as regras básicas
de preservação;
-
estudar e refazer a política indigenista para que os "povos da floresta"
possam viver em seus ambientes naturais, sem que sejam afetados ou desrespeitados
em sua dignidade, bem como respeitada a sua cultura;
-
desenvolver o turismo ecológico com visitas monitoradas às
áreas naturais, incentivando a atividade privada na criação
de projetos conservacionistas neste sentido;
-
diminuir gradativamente as agressões dos agentes poluidores ao meio
ambiente, mediante estudos técnicos e específicos, utilizando
a mais modernas tecnologias;
-
incentivar no meio social a criação de sociedades não
governamentais de proteção ambiental(ONGs), com incentivos
fiscais;
Essas são algumas das providências que se sugere na tentativa
de se desenvolver uma sociedade mais saudável e garantida em seu
futuro, cabendo a cada um de nós dar sua contribuição
para que isso ocorra, já que o futuro da humanidade depende da criação
de uma nova sociedade; de uma nova filosofia de vida, sem a qual a raça
humana estará fadada a sucumbir.
Situação
atual e conclusão:
Dessa forma, podemos concluir que para que se consiga o desenvolvimento
sustentável é necessário conjugar esforços
de toda a sociedade, sem a exclusão de qualquer de seus segmentos,
discutindo-se temas importantes como: explosão demográfica,
controle da natalidade, desenvolvimento industrial e depredação,
nova política educacional etc.
É verdade que temos visto desenvolver programas, projetos e trabalhos
no sentido de se atingir o desenvolvimento sustentável, mas a grande
maioria trata-se de empreendimentos da iniciativa privada que acabam sendo
isoladas, ante a inércia do grande potencial que temos para executar
ações neste sentido.
Por outro lado, muitos países, entre eles o Brasil não cumpriram
oficialmente os compromissos assumidos na referida Convenção
mundial, principalmente no que tange a Agenda 21, pois nem ao menos criou
a sua Agenda 21 e nem o conselho nacional de desenvolvimento sustentável.
É verdade que alguns municípios editaram sua agenda 21 local,
como os de: S.Paulo, porto Alegre, Santos e Angra dos Reis, mas é
muito pouco se levarmos em conta que temos 4.974 municípios(Anuário
estatístico do Brasil- IBGE, 1994).
O desenvolvimento sustentável deve-se constituir em um objetivo
planetário, um objetivo de toda a humanidade para que possa ser
alcançado. Os povos devem se unir por esta causa e em parceria combater
os problemas ambientais com soluções imaginativas e eficientes.
Ainda estamos longe de se cumprir efetivamente os compromissos assumidos
por nosso país na Rio-92, mas as tentativas começam a aparecer,
o que é um bom sinal; porém, devemos tomar concomitantemente
providências urgentes no sentido de desenvolver em todos os
cidadãos do mundo uma consciência ecológica, alicerçada
na ética ambiental, tudo voltado para a efetiva e concreta criação
de uma sociedade moderna.
Por sua vez, o Estado brasileiro deve tomar as rédeas e gerenciar
programas e projetos oficiais realmente condizentes com as determinações
mundiais ambientais, levando as diretrizes à sociedade, a qual terá
assim a oportunidade de participar mais esperançosa de que o desenvolvimento
sustentável é possível.
Atores
do Desenvolvimento Sustentável
Após a realização da Conferência do Meio Ambiente
e Desenvolvimento, a Rio-92 ocorreu uma verdadeira globalização
das questões ambientais gerando uma preocupação crescente
com a degradação experimentada pelo desenvolvimento industrial.
A
Agenda 21 com seus 40 capítulos e 800 páginas, editada na
referida conferência, lançou o conceito de sustentabilidade
assim como diretrizes da nova forma de desenvolvimento, o sustentável
ou sustentado.
Segundo se extrai deste documento as Organizações não-governamentais
(ONGs) são um dos principais atores deste novo paradigma de desenvolvimento
como importantíssimas colaboradoras ao lado do Estado. Aliás,
vêm elas tomando espaços no contexto mundial em relação
a temática sócio-ambiental como nunca dantes, ocorrendo uma
grande explosão de criação desta forma de organismo
social com atuações cada vez mais importantes e abrangentes,
chegando inclusive a influenciar nas decisões governamentais nas
várias esferas. Não podemos esquecer que a própria
ONU é uma organização não-governamental e que
nas últimas décadas vem também crescendo e atuando
cada vez mais ativamente e eficaz, muitas vezes com influência e
interferência nas diretrizes políticas de países.
Quanto aos Estados, o desenvolvimento sustentável vem exigindo-lhes
uma nova definição de atuação que deve ser
pautada nos princípios da nova forma de desenvolvimento, mas para
isso é necessário que entrem na era da modernidade administrativa.
Devem entre outras medidas: redefinir suas funções como agentes
públicos do desenvolvimento; racionalizar suas atividades;
enxugar sua máquina administrativa; banir o clientelismo, o autoritarismo,
assim como o corporativismo; direcionar sua política sócio-econômico-ambiental
observando as tendências mundiais nas respectivas áreas; celebrar
efetivos acordos bilaterais e multilaterais com outros Estados; celebrar
parcerias com a sociedade civil representada esta pelas ONGs, abrindo-lhes
novos campos de atuação; passar a ser gerenciador do desenvolvimento
ditando as regras e fiscalizando as atividades etc.
Seus agentes devem estar atualizados com as tendências mundiais,
bem como afetos aos métodos que exigem os novos paradigmas do desenvolvimento
para que possam direcionar estas novas e necessárias funções
do Estado. A flexibilização, ou seja a mobilidade das decisões
em vistas dos crescentes e novos desafios, deve ser a tônica da administração
dos novos tempos.
Por sua vez, a coletividade deve participar também como ator fundamental
neste novo caminho apresentando reivindicações, fiscalizando
as obras pública, principalmente as que causam impacto ambiental,
bem como exigindo legalidade e probidade administrativa através
de ações judiciais. A cidadania deve ser exercida a todo
momento para que sejam corrigidas a distorções na administração
da coisa pública.
O empresariado também deve colaborar para o desenvolvimento com
ações sociais, aliando lucro a conduta social. Deve ainda
observar as tendências mundiais de produção limpa para
evitar prejuízos ambientais.
O Poder Judiciário deve estar atento as mudanças dos conceitos
de justiça, principalmente quanto a aplicação das
diretrizes das convenções mundiais, ante a globalização
dos Direitos Humanos e das questões ambientais e o Ministério
Publico deve estar alerta no resguardo do patrimônio nacional e no
bem estar dos cidadãos.
Portanto, somente com a participação efetiva destes importantes
atores em cooperação mútua e com os mesmos objetivos
é que conseguiremos alcança um desenvolvimento sustentável
e, assim, cumprir o anseio planetário de preservar a qualidade de
vida para nós aqui, agora e para as gerações futuras,
como dita nossa Constituição Federal (art.225).
Bibliografia recomendada:
Comissão
Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 1991. Nosso futuro comum.
Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2ª edição).
CAVALCANTI,
Clóvis (org). 1995. Desenvolvimento e natureza: estudos para
uma sociedade sustentável. Cortez Editora.
MEADOWS,
Dennis L., MEADOWS, Donella H., RANDERS, J. & BEHRENS, William W.
1972. Limites do crescimento- um relatório para o Projeto do Clube
de Roma sobre o dilema da humanidade. São Paulo, Ed. Perspectiva.
Informações
Segundo consta no site do Yale Center for Environmental law and Policy
(http://www.ciesin.org/indicators/ESI/rank.html),
o Brasil ficou em 20º lugar no ranking mundial referente à
sustentabilidade ambiental. Os trabalhos foram desenvolvidos pela Universidades
de Yale e de Columbia e o resultado foi divulgado em Nova Iorque no Fórum
Econômico Mundial no dia 03/02/02.
Os três primeiros colocados com melhor desempenho ambiental foram:
1. Finlândia;
2. Noruega;
3. Suécia.
Esse relatório é importante porque dá um apanhado
geral da preocupação ambiental dos países, servindo
como parâmetro para os estudos para o desenvolvimento sustentável.
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Texto:
Antônio Silveira Ribeiro dos Santos
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