MEDICINA DO VIAJANTE
Doenças ambientalmente induzidas
As doenças e epidemias que aparecem mais acentuadamente na época
das chuvas não estão ligadas apenas a ocorrência das
precipitações pluviométricas, mas a fatores muito
anteriores e relacionados direta ou indiretamente ao trato da questão
ambiental, como veremos.
Como se sabe a explosão demográfica ocorrida nas últimas
décadas elevou o número de habitantes da terra para mais
de 6 bilhões de pessoas, estando o Brasil próximo a casa
dos 200 milhões de pessoas, o que não é um exagero
pelo nosso tamanho continental, não fosse a concentração
populacional nas cidades, principalmente nas grandes metrópoles
acarretando enorme bolsões de pobreza e suas conseqüências
ambientais.
Isto acrescido da falta de saneamento básico adequado com insuficiência
de aplicação de verbas públicas no setor, educação,
políticas públicas efetivas, além da falta de conscientização
e de vontade política dos agentes públicos têm mantido
condições propícias para o surgimento de muitas doenças
e epidemias ligadas direta ou indiretamente ao fator ambiental. Além
disso, a degradação ambiental gerada pela falta de zoneamento
oro -ambiental – ou inadequados quando existem, do Poder Público
em todas as suas esferas, a ganância exagerada de muitos loteadores
que não dão atenção aos aspectos ambientais
dos empreendimentos, a falta de consciência ecológica da maioria
dos proprietários de imóveis e das indústrias, tornam-se
fatores relevantes na crescente piora da situação da saúde
pública.
Como se sabe muitas doenças encontram ambiente favorável
com proliferação de animais que vivem em ambientes insalubres
como os ratos, mosquitos e moscas, os quais por sua vez são hospedeiros
e/ou dissiminadores de muitas moléstias como a leishimaniose, toxoplasmose,
doença de chagas, febre amarela e malária. São as
chamadas zoonoses, isto é doenças compartilhadas simultaneamente
pelo homem e pelos animais.
Portanto, estas doenças são altamente induzidas pelos fatores
ambientais, caracterizados estes pela degradação da qualidade
ambiental, tanto na área urbana quanto rural, de forma que no seu
combate as medidas de saneamento são primordiais. Outra forma de
evitá-las é através da prevenção e esta forma
e o tratamento específicos tem gerado o surgimento da chamada
“medicina do viajante”.
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Texto:
Antonio Silveira Ribeiro dos Santos
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