PROJETOS
E PROGRAMAS
Como criar e desenvolver um programa de Educação Ambiental
Além
da obrigatoriedade da nova disciplina nos cursos no Brasil, há como
dito a obrigatoriedade do Poder Público implementar a EA à
população, o que deverá ser feito através de
programas, daí a importância de se estudar sistemáticas
e organogramas neste sentido.
A criação
e desenvolvimento de um programa de EA pode ser elaborado utilizando-se
várias formas, métodos e organogramas, mas a utilização
de uma sistemática bem elaborada é primordial para o seu
sucesso. Um dos sistemas mais completos que conhecemos é o apresentado
por David S.Wood e Diane Walton Wood no trabalho “Como Planificar um Programa
de Educacion Ambietal” (IIED-Instituto Internacional para el Medio Ambiente
y Desarrollo. El Servicio de Pesca y Vida Silvestre de los Estados Unidos),
no qual nos baseamos para apresentar este modesto organograma.
Para
criar e desenvolver um programa de EA deve-se planejá-lo e executá-lo
de forma mais criteriosa e concreta possível, observando as seguintes
etapas:
1ª - escolher o local a ser efetivado o programa;
2ª - desenvolver pesquisas para identificação dos problemas
ambientais específicos da área;
3ª - estudar e conhecer as necessidades e potenciais da comunidade;
4ª - planejar o programa direcionando-o à comunidade;
5ª - aplicar efetivamente o programa educacional;
6ª - avaliar os resultados para eventuais mudanças ou adaptações;
Desenvolvendo-se
cada etapa, sugere-se:
1ª etapa - escolher o local a ser efetivado o programa.
Antes
de se iniciar um efetivo trabalho é necessário primeiro escolher
uma região com problemas ambientais para direcioná-lo, de
forma que os resultados sejam mais efetivos e venham a atender as necessidades
locais. Mesmo em se delimitando o estudo a um certo local podemos observar
que os problemas ambientais que o atingem podem ser locais, regionais ou
nacionais que afetam outros lugares do pais e mesmo fora, internacional.
Escolhido
o local passa-se a delimitação do campo de ação,
examinando-se toda área de estudo com o maior levantamento possível
topográfico, faunístico, botânico, climático,
social etc. Feito isso, passa-se para à segunda etapa.
2ª
etapa - desenvolvimento de pesquisas para a identificação
dos problemas ambientais específicos da área.
Devido a degradação generalizada, normalmente encontramos
muitos problemas ambientais em praticamente todos os locais, de modo que
nesta fase devemos desenvolver pesquisas para a identificação
concreta de seus problemas para especificar os que atingem a área.
Estas pesquisas devem ser mais amplas possíveis, não se podendo
deixar de considerar nenhum dos aspectos do ambiente para que se possa
identificar os problemas com maior segurança, assim podemos definir
quais são os mais importantes, e assim passamos a terceira fase.
3ª
etapa - estudar e conhecer as necessidade e potenciais da comunidade.
Escolhido
o local e identificados os problemas ambientais passamos aos estudos da
necessidade e potencialidade da comunidade, uma vez que um programa de
Educação Ambiental é dirigido às pessoas, daí
porque devemos conhecer as necessidades e pontencialidades da comunidade
para a implantação e desenvolvimento do programa, sem o que
será um trabalho sem acolhida pelas pessoas do local.
Cada
comunidade tem suas necessidades que refletem no ambiente, de maneira
que é importantíssimo conhecermos as necessidades básicas
da comunidade para que possamos aplicar adequadamente o programa,
bem como temos que conhecer também os anseios da sociedade estudada,
para que possamos também saber o que se pretende em um futuro próximo
e a longo prazo, para prepararmos um programa mais consistente.
Para
este estudo devemos fazer um levantamento sócio-cultural abrangente
com as cooperativas, escolas, igrejas e órgãos públicos
municipais e estaduais, coletando de informações das
pessoas. Assim podemos também saber qual o público dentro
daquela sociedade a que se destinará melhor o programa, bem como
quem poderá colaborar. Além do conhecimento dos problemas
ambientais da região, o educador ambiental deve conhecer plenamente
o meio social em que vai trabalhar. Deve ele estar inserido o máximo
possível neste meio social, sem o que não terá idéia
exata da dimensão da problemática a ser trabalhada e consequentemente,
prejudicar a adequada educação ambiental ao público
alvo.
O educador
ambiental deverá procurar apoio dos líderes da comunidade
no desenvolvimento de seu trabalho, solicitando a colaboração
de políticos, autoridades públicas, professores e líderes
de bairro, por exemplo. Com a ajuda da liderança local o trabalho
terá uma maior penetração e consequentemente maior
resultado, não se esquecendo que o potencial da comunidade deve
ser estudado, abrangendo este estudo a parte social educadora e econômica.
Conhecendo-se o potencial o educador saber até que ponto poderá
ser desenvolvido o seu programa.
4ª
- planejamento do programa direcionado à comunidade.
Conhecendo-se
a necessidade e o potencial da comunidade alvo, passa-se ao planejamento
do programa. Este para ter êxito tem que ser organizado com muito
cuidado e também direcionado aos objetivos, sem se desviar de sua
finalidade.
O educador
ambiental deve: a) fazer um projeto do programa com os motivos, métodos
e objetivos; b) identificar os problemas ambientais a ser trabalhado e
como serão resolvidos; c) como será colocado em prática
o programa como, por exemplo, de que forma será desenvolvido ou
como será divulgado; d) qual o público alvo do programa;
Por fim,
o educador deve fazer um organograma de trabalho desenvolvendo a sua estratégia
de ação.
5ª - Aplicação efetiva do programa educacional:
Nesse
estágio de ação deve incluir: a) visitas e exposições
em escolas. As escolas locais devem ser cadastradas e visitadas, fazendo-se
exposições e palestras aos alunos e pais sobre o programa
ambiental, estimulando assim a participação dos presentes;
b) manter contato com entidades governamentais e não governamentais
(ONGs) para obtenção de apoio, procurando cadastrar todas
as Ongs locais, ou que tenham interesses ou escritórios na região,
providenciando contato com explanação do programa e solicitação
de apoio; c) tentar conseguir com as empresas, o comércio, entidades
e mesmo pessoas a obtenção de material de divulgação
e de uso nas atividades a se desenvolver; d) apoio dos meios de comunicação
locais; e) divulgação do programa para toda a comunidade
através dos líderes locais e/ou pessoas interessadas. As
pessoas influentes, quer econômica, social e intelectualmente, têm
grande poder de indução da população, de forma
que devem ser procuradas pelo educador ambiental para que abracem a causa,
divulgando-a o máximo possível.
6ª
- Avaliação
Todo
o trabalho desenvolvido deve ser avaliado de tempos em tempos para que
se possa fazer correções, adequando o Programa de Educação
Ambiental cada vez mais à comunidade a que é direcionada.
A avaliação
não tem prazo certo a se realizar, mas deve em cada caso ser efetivada,
observando o tempo necessário que se entender necessário,
devendo isso ser objeto de estudo, também. Deve ser também
muito criteriosa e isenta de preconceitos, para que se possa aceitar as
críticas que são importantes ao aperfeiçoamento do
trabalho. Do resultado devemos tirar as novas diretrizes a serem seguidas,
sempre com vistas ao objetivo do programa. Além disso, a avaliação
pode ser feita tonto no curso do programa quanto após findo (Wood,
D. e Diane W.Wood, ob.cit.)
Conclusão
A Educação
Ambiental é um processo educacional criado ao longo de muitos anos
através de estudos de milhares de especialistas, que tem uma visão
global das necessidades do homem e da natureza entrelaçadas em um
objetivo comum que é a manutenção da qualidade de
vida de todos os seres do planeta.
Portanto,
em vista da existência de problemas ambientais em quase todas as
regiões do país, torna-se importantíssimo o desenvolvimento
e implantação de programas educacionais ambientais, os quais
são de suma importância na tentativa de se reverter ou minimizar
os danos ambientais.
Porém,
o sucesso destes programas educacionais ambientais somente poderá
ocorrer em havendo conscientização de todos os segmentos
da sociedade da necessidade da sua implantação efetiva. A
participação de toda a comunidade envolvida no processo é
primordial para a sua efetivação, sem sombra de dúvida.
Somente assim poderemos tentar melhorar a qualidade de vida de todos e,
consequentemente, cumprirmos o disposto no art.225 de nossa Constituição
Federal, onde diz, em poucas palavras, que o meio ambiente sadio é
um direito de todos .
Ministério do Meio
Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal
Secretaria de Coordenação
dos Assuntos de Desenvolvimento Integrado
Atendendo ao disposto no
Portaria nº 353, de 30 do outubro de 1996, que estabelece a criação
do Grupo de Trabalho de Educação Ambiental, e de acordo com
as correspondências enviadas pelas Secretarias e vinculadas deste
Ministério, formalizando a indicação dos seus representantes
e suplentes, informo os membros que compõem o referido Grupo:
Fonte de pesquisa: Ministério do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e da Amazônia Legal
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Texto:
Antônio Silveira Ribeiro dos Santos
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