Direitos dos animais
Peles
“Criadouros” de animais para abate e extração de pele
Segundo a International Fur Trade Federation, no documento “Facts on Fur”, datado do ano de 2000, 85% (oitenta e cinco por cento) das peles utilizadas pela indústria peleteira são provenientes de animais criados em cativeiros, nas fazendas de peles (verdadeiras fábricas, aliás).
Ainda neste mesmo documento temos que 64% (sessenta e quatro por cento) das fazendas de peles estão localizadas no norte da Europa, 11% (onze por cento) na América do Norte e o restante espalhadas de forma esparsa pelo resto do mundo, em países como a Argentina, Rússia e também o Brasil.
Os animais criados em cativeiro para a extração da pele vivem em gaiolas minúsculas por toda sua existência, e sofrem constantemente com medo, estresse, doenças, parasitas e outros problemas físicos e/ou psicológicos. Alguns animais como os minks, por exemplo, que são solitários e estão acostumados a ocupar grandes territórios quando são de vida livre, chegam a cometer auto-mutilação ao verem-se em cativeiro [1]. Há também casos de canibalismo entre os animais quando mantidos em gaiolas lotadas.
Não há leis, normas ou qualquer tipo de regulamentos sobre métodos de abate para animais utilizados pela indústria peleteira. Assim, como o que se visa com a atividade é o lucro, havendo assim os menores custos possíveis e melhor aproveitamento das peles que, quanto mais intactas estiverem, mais valiosas serão, temos visto métodos absurdamente cruéis para a matança desses animais: asfixia, eletrochoque, envenenamento com estricnina, câmara de descompressão e quebra de pescoço são os mais utilizados.
Algumas vezes estes métodos não propiciam a morte imediata do animal, que tem seu esfolamento iniciado ainda com vida.
Também de se ressaltar que a indústria peleteira não traz apenas a crueldade dos animais, mas também grande destruição ambiental.
A energia elétrica utilizada para a produção de um casaco de pele natural corresponde de vinte a sessenta vezes mais do que se gasta na produção de um casaco de pele sintética [2], por exemplo.
Há ainda o grande risco de contaminação de águas devido à grande quantidade de produtos químicos utilizados para o curtume das peles.
Finalmente, merece atenção o descarte das carcaças de animais. Em pesquisa de campo em uma cabanha no interior do Estado de São Paulo constatamos o descarte de carcaças sendo feito em lixo comum, porém, como se tratam de resíduos biológicos, é necessário o cumprimento das normas de gerenciamento adequado, as quais são especificadas em resoluções da ANVISA e CONAMA, bem como normas da ABNT e eventuais normais mais específicas estaduais e até mesmo municipais.
Diante de tanta crueldade e danos ambientais, as fazendas de peles já foram proibidas em alguns países, como na Áustria e no Reino Unido. Na Holanda estão sendo gradativamente proibidas desde 1998 [3]. Nos Estados Unidos, no ano de 2003, as fazendas de chinchilas já haviam decaído em 5% (cinco por cento) em relação ao ano anterior [4].
Aqui no Brasil, entretanto, devido à demanda internacional pelas peles de chinchilas, tem havido suporte para o crescimento da indústria peleteira no país, que parece estar retrocedendo se comparado às tendências mundiais.
Segundo dados fornecidos pela ACHILA [5], os negócios com pele movimentam U$ 12,6 milhões por ano. No Brasil exporta-se cerca de U$ 750 mil por ano, especialmente para o Canadá, Estados Unidos, Japão e Itália, porém, há enorme demanda para que este mercado cresça ainda mais aqui no país, havendo-se a estimativa de que o Brasil poderá chegar a U$ 1,4 milhão por ano, correspondendo a mais de 11% de toda a produção mundial.
Atualmente há entre 600 e 650 criadores de chinchilas para abastecimento da indústria peleteira mundial em todo o país, número este que é fortemente incentivado ao crescimento para que se atinjam as estimativas previamente citadas suprindo-se assim a já existente demanda por peles brasileiras, que, logicamente vem ascendendo, tendo-se em vista a queda de produção em outros países, conforme já citamos anteriormente.
[1] Estudos de zoologistas da Universidade de Oxford sobre minks em cativeiro comprovam que estes animais, mesmo após diversas gerações de criação exclusivamente em cativeiro, não se domesticam, sofrendo imensamente, especialmente quando não possuem a possibilidade de nadar.
[2] Fonte: http://www.peta.org/mc/factsheet_display.asp?ID=56
[3] Eurogroup fpr Animal Welfare, “Comission Report Reveals Serious Welfare Problems in Fur Farming”, 20.12.2001.
[4] U.S. Department of Agriculture, National Agricultural Statistics Service, “Mink”, 15.07.2004.
[5] Associação Brasileira de Criadores de Chinchila Lanígera.
Página elaborada pela colaboradora Renata de Freitas Martins
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Textos:
Renata de Freitas Martins
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