Direitos dos animais

Peles

Métodos de abate e extração de peles

        Em nossa pesquisa de campo já citada anteriormente, também acompanhamos o processo de abate e esfola de um animal (chinchila) criado em cativeiro com o objetivo de abastecimento da indústria de peles.

        A visão dos instrumentos a serem utilizados neste processo já é algo assustador e que nos leva à certeza de que se trata de atividade cruel e absolutamente desnecessária: são tábuas de abate, facas, tesouras, canivetes, alfinetes dentre outros.

        Após a preparação de todos os instrumentos, eis o momento do abate, sendo realizado, normalmente, por três métodos mais corriqueiros: choque, envenenamento ou quebra de pescoço, sendo este o mais utilizado por se tratar de método mais barato, prático e rápido [6], e o qual acompanhamos.

        As gaiolas onde os animais são mantidos por toda sua vida são todas etiquetadas, indicando quais animais deverão ser utilizados para procriação e quais deverão ser destinados ao abate, inclusive com as datas especificadas.

        O sinal de terror nos olhos dos animais que vão para o abate é notório. Muitos tremem. Ficam impacientes. Esse terror é coletivo, pois todos os animais assistem ao cruel espetáculo de matanças, fazendo com que a crueldade de toda uma vida em cativeiro estenda-se também a este momento.

        Escolhido o animal a ser abatido, seu pescoço é torcido e então este é esticado na tábua de abate com a barriga para cima e preso pelas patas traseiras e pelos dentes. Notamos alguns animais com espasmos neste momento, o que pode demonstrar que ainda tinham sensações.

        Iniciando-se o processo de esfola, o qual consiste na retirada da pele do animal, é feito um corte em sentido vertical na altura anterior da boca do animal, usando-se uma gilete. Por este corte é introduzida uma guia (pedaço de haste de guarda-chuvas), a qual é conduzida com a ajuda dos dedos até a genitália do animal, por onde sai uma de suas arestas.

        Introduzida a guia, mais uma vez com a utilização da gilete (também pode ser utilizada uma tesoura com ponta fina e afiada ou bisturi) é feito um corte na direção desta guia até cerca de dois dedos acima da genitália do animal.

        Feito este corte, a guia é introduzida da região do umbigo do animal até cada uma de suas patas traseiras, efetuando-se mais uma vez o corte com a gilete ou instrumentos afins.

        Após, inicia-se a separação do couro do animal e de sua carcaça, o que é feito com as pontas dos dedos, iniciando-se pelo pescoço e chegando até o nariz. Este mesmo processo é repetido até as patas traseiras do animal.

        Para soltar totalmente o couro da carcaça do animal, é feito o corte das patas dianteiras e em seguidas das traseiras com a utilização de um a tesoura. Em seguida, da mesma maneira, corta-se rabo, orelhas e nariz.

        Nesta fase o animal é colocado de barriga para baixo, tendo sua pele segurada por uma mão e com a outra, o nariz já descarnado, até que apareçam os olhos, que são cobertos por uma membrana, a qual é cortada com uma gilete menos afiada para se evitar sangramento (e caso este ocorra, é estancado com pó de mármore). Feitos estes cortes, continua-se puxando a pele do animal, deixando toda sua cabeça descarnada.

        Novamente o animal é colocado de barriga para cima e se procede a retirada do que ainda restou de carcaça com a palma da mão, para que o matambre [7] saia junto.

        Com um canivete é feita a limpeza da pele, retirando-se gordura com auxílio de pó de mármore, o qual possibilita a final retirada dessa gordura com as próprias mãos. Com uma tesoura retiram-se bigodes e alguns resíduos de carne que ainda existirem. Passa-se papel absorvente para que se tire qualquer outro resíduo ainda existente.

        A pele é esticada em uma tábua de madeira e presa com alfinetes em suas extremidades, sendo colocado um TAG [8] nos buracos da orelha e fixado com arrebite.

        Após a pele é colocado em um armário todo de tela, onde ficará entre vinte e quatro e quarenta e oito horas para secar e então ser colocada em um freezer até sua exportação, onde é realizado o curtume.

 


[6] Segundo depoimento de “empresários” do ramo.

[7] Pele fina que fica entre o couro e a carcaça, e caso não seja retirado neste momento, dificulta a posterior limpeza da pele. 

[8] Etiqueta de identificação da pele, sendo uma tira de alumínio de 12 cm por 1 cm e com um furo em cada extremidade, onde é gravado a sigla do criador e o número da pele. Essa gravação é feita por meio de punção alfa-numérico. Há também TAGs com código de  barras.

Página elaborada pela colaboradora Renata de Freitas Martins

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Textos: Renata de Freitas Martins
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