POLUIÇÃO
Tipos de poluição
Dependendo do elemento atingido, a poluição pode ser denominada de:
1.
Poluição hídrica
Conforme
consta no Decreto n.º 73.030/73, art. 13, § 1º, poluição
da água é qualquer alteração de suas propriedades
físicas, químicas ou biológicas, que possa importar
em prejuízo à saúde, à segurança e ao
bem estar das populações, causar dano à flora e à
fauna, ou comprometer o seu uso para fins sociais e econômicos.
Quando
se fala em poluição das águas, devem ser abrangidas
não só as águas superficiais como também as
subterrâneas.
Uma das
principais fontes de poluição das águas são
os resíduos urbanos, tanto os industriais quanto os rurais, que
são despejados voluntária ou involuntariamente.
Como
exemplos de materiais tóxicos que normalmente são despejados
nas águas destacam-se metais pesados como o cádmio e o mercúrio,
o chumbo, nitratos e pesticidas. Estes poluentes representando grande ameaça
à qualidade da água, à saúde e ao meio ambiente,
pois são capazes de provocar enormes danos aos organismos vivos,
e, consequentemente à cadeia alimentar e à nossa saúde.
Portanto,
medidas devem ser tomadas no sentido de recuperação dos rios
e mananciais atingidos pela poluição para que se garanta
à população o abastecimento de água não
infectada. Dentre essas medidas, ressalta-se o tratamento dos esgotos
urbanos.
2.
Poluição atmosférica
Para
que se entenda melhor o que é poluição atmosférica,
é de suma importância que se conheça a composição
normal do ar, que pode ter alguma variação de região
para região, exposta a seguir:
| GÁS CONCENTRAÇÃO | (porcentagem) |
| Nitrogênio (N2) | 78,03 |
| Oxigênio (O2) | 20,99 |
| Argônio (Ar) | 0,94 ppm** |
| Dióxido de carbono (CO2) | 340,0* |
| Neônio (Ne) | 18,0 |
| Hélio (He) | 5,0 |
| Metano (CH4) | 1,5 |
| Hidrogênio (H2) | 0,5 |
| Óxido de dinitrogênio (N2O) | 0,3* |
| Dióxido de nitrogênio (NO2) | 0,3* |
| Monóxido de nitrogênio (NO) | 0,1* |
| Monóxido de carbono (CO) | 0,1* |
Feita essa breve exposição, podemos definir a poluição do ar como “a modificação da sua composição química, seja pelo desequilíbrio dos seus elementos constitutivos, seja pela presença de elemento químico estranho, que venha causar prejuízo ao equilíbrio do meio ambiente e consequentemente à saúde dos seres vivos”.
A poluição
do ar é classificada em:
- poluição
pelos detritos industriais;
- poluição
pelos pesticidas; e,
- poluição
radioativa.
Fontes
de poluição atmosférica são:
- fixas (indústrias,
hotéis, lavanderias etc.)
- móveis (veículos
automotores, aviões, navios trens etc.)
Fatores
que causam a poluição do ar:
- fatores naturais: são
aqueles que têm causas nas forças da natureza, como tempestades
de areia, queimadas provocadas por raios e as atividades vulcânicas.
- fatores artificiais: são
aqueles causados pela atividade do homem, como a emissão de combustíveis
de automóveis, queima de combustíveis fósseis em geral,
materiais radioativos, queimadas etc.
Poluentes
mais comuns do ar e suas principais fontes:
|
|
|
| Hidrocarbonetos | Emissões de veículos, refinarias de petróleo e vegetação |
| Sulfetos | Usinas termoelétricas, fornos a carvão, metalúrgicas, vulcanização, indústria de fertilizantes e pântanos |
| Mercaptanas | Refinarias de petróleo e indústrias de celulose |
| Hidrocarbonetos clorados | Pesticidas, lavanderias e propelentes de aerossóis |
| Dióxido de enxofre | Combustões, olarias, usinas termoelétricas, refinarias de petróleo, usinas de ferro/aço, indústria de fertilizantes e plantas |
| Óxidos de nitrogênio | Emissões de veículos, indústria de fertilizantes |
| Ácido nítrico | Conversão do NO2 |
| Monóxido de carbono | Emissões de veículos e oxidação de terpenos (vegetação) |
| Dióxido de carbono | Combustões em geral/emissões de veículos |
| Amônia | Fábrica de fertilizantes e de amônia |
| Ozônio | Na troposfera, principalmente: hidrocarbonetos + óxidos de nitrogênio + luz |
| Material particulado (poeiras) | Emissões de veículos, refinarias de petróleo, usinas a gás, geração de eletricidade, incinerações-fábricas de cimento, cerâmicas, estufas e carvão, fornos e, entre outras, conversão gás-partícula |
Já, entre as mais graves conseqüências da poluição atmosférica podemos citar a chuva ácida, o efeito estufa e a diminuição da camada de ozônio.
- Chuva
ácida :
A chuva será considerada ácida quando tiver um pH inferior
a 5,0, ocorrendo não apenas sob a forma de chuva, mas também
como neve, geada ou neblina.
Decorre
da queimada de combustíveis fósseis, produzindo gás
carbônico, formas oxidadas de carbono, nitrogênio e enxofre.
Esses gases, quando liberados para a atmosfera, podem ser tóxicos
para os organismos.
O dióxido
de enxofre provoca a chuva ácida quando se combina com a água
presente na atmosfera, sob a forma de vapor. As gotículas de ácido
sulfúrico resultantes dessa combinação geram sérios
danos às áreas atingidas.
Além
dos sérios danos ao meio ambiente natural, as chuvas ácidas
também constituem séria ameaça ao patrimônio
cultural da humanidade, corroendo as obras talhadas em mármore,
que por ser uma rocha calcária, dissolve-se sob a ação
de substâncias ácidas.
- Efeito
estufa:
Fenômeno
de elevação da temperatura média da Terra, que ocorre
pelo aumento considerável na concentração de
gás carbônico na atmosfera, provocado principalmente pela
queima de combustíveis fósseis e desmatamentos, formando
assim uma espécie de “coberta” sobre a Terra impedindo a expansão
do calor.
O crescente
aumento do teor do gás carbônico na atmosfera faz com
que a temperatura da Terra esteja em constante crescimento, o que pode
ocasionar grandes distúrbios climáticos.
- Diminuição
da camada de ozônio:
O ozônio
está presente na troposfera, que é a camada da atmosfera
em que vivemos, e também em zonas mais altas da estratosfera, entre
12 e 50 km de altitude, tendo como função proteger o planeta
da incidência direta de grande parte dos raios ultravioleta, que
é um dos componentes da radiação solar.
Com a
diminuição dessa camada de ozônio, os raios ultravioleta
atingem a Terra de forma mais brusca, provocando graves doenças
no ser humano, como câncer de pele, distúrbios cardíacos
e pulmonares, queimaduras, problemas de visão etc. O ambiente também
é diretamente atingido pelas modificações na cadeia
alimentar, visto que certas espécies de animais e plantas são
extremamente sensíveis a essa radiação, como os anfíbios
anuros (sapos, rãs e pererecas). Além disso, a destruição
desta camada de ozônio pode contribuir com o derretimento de parte
do gelo da calota polar, causando o superaquecimento do planeta.
Uma das grandes causas da
diminuição da camada de ozônio tem sido a liberação
de compostos químicos industriais na atmosfera, denominados de CFC
(clorofluorcarbono), que é um gás não tóxico,
inodoro, e quimicamente inerte. É usado em grande escala como agente
refrigerador de geladeiras e aparelhos de ar condicionado, na manufatura
de espumas de plástico e principalmente como propelente de sprays
enlatados, e sua inércia química torna-o capaz de atingir
grandes altitudes sem se modificar, até alcançar a estratosfera,
onde a radiação ultravioleta provinda do Sol provoca a sua
quebra. O cloro é liberado, reagindo com o ozônio, e desmembrando-o
em uma molécula e um átomo de oxigênio.
3.
Poluição do solo:
Conforme
estabelece o Decreto n.º 28.687/82, art.72, poluição
do solo e do subsolo consiste na deposição, disposição,
descarga, infiltração, acumulação, injeção
ou enterramento no solo ou no subsolo de substâncias ou produtos
poluentes, em estado sólido, líquido ou gasoso.
O solo
é um recurso natural básico, constituindo um componente fundamental
dos ecossistemas e dos ciclos naturais, um reservatório de água,
um suporte essencial do sistema agrícola e um espaço para
as atividades humanas e para os resíduos produzidos.
Degradação
do solo por meio da:
- desertificação;
- utilização
de tecnologias inadequadas;
- falta de práticas
de conservação de água no solo;
- destruição
da cobertura vegetal.
A contaminação
dos solos dá-se principalmente por resíduos sólidos
e líquidos, águas contaminadas, efluentes sólidos
e líquidos, efluentes provenientes de atividades agrícolas
etc. Assim, pode-se concluir que a contaminação do solo ocorrerá
sempre que houver adição de compostos ao solo, modificando
suas características naturais e as suas utilizações,
produzindo efeitos negativos, chamados de poluição.
No controle
da poluição do solo é válido citar o exposto
pela CETESB, ressaltando que o controle da qualidade do solo envolve vários
aspectos: produção agrícola ou pastoril, qualidade
dessa produção, planejamento urbano, conservação
ou preservação de matas e florestas etc. Vide o seu
site www.cetesb.com.br
4.
Poluição sonora:
Segundo
a CETESB, em definição citada por Luís Paulo Sirvinskas
( Tutela Penal do Meio Ambiente. Ed. Saraiva, 1998), poluição
sonora é a produção de sons, ruídos ou vibrações
em desacordo com as precauções legais, podendo acarretar
problemas auditivos irreversíveis, perturbar o sossego e a tranqüilidade
alheias.
A poluição
sonora pode causar ainda mau humor, doenças cardíacas e,
consequentemente, queda na produtividade física e mental.
Esse
tipo de poluição tem como causas principalmente o barulho
de automóveis, aviões, obras, gritarias etc., podendo ser
mais ou menos nociva, conforme sua duração, repetição
e intensidade (em decibéis).
Ultimamente
temos observado que a imprensa em geral tem dado atenção
a reclamações das pessoas com referência aos ruídos
ou barulhos principalmente em bares, casas noturna. Não é
para menos, já que a aglomeração de pessoas, casas
residenciais e comerciais está crescendo assustadoramente nas grandes
cidades, o que torna as pessoas expostas a todas as formas de barulho.
A poluição
sonora dá-se através do ruído que é o som indesejado,
sendo considerada uma das formas mais graves de agressão ao homem
e ao meio ambiente.
Segundo
a Organização Mundial de Saúde (OMS) o limite tolerável
ao ouvido humano é de 65 dB (A), acima disso o nosso organismo sofre
de estresse, o qual aumenta o risco de doenças. Com ruídos
acima de 85 dB (A) aumenta o risco de comprometimento auditivo. Sabe-se
também que quanto mais tempo exposto, maior o risco da pessoa sofrer
danos. Quanto a estes, dois fatores são determinantes para a sua
amplitude: o tempo de exposição e o nível do barulho
a que se expõe a pessoas ou pessoas, sendo de se observar que cada
caso tem suas características e seu grau de conseqüência,
o que exige estudos específicos para cada um.
Em se
tratando de poluição sonora restrita a um determinada região
ou área o problema torna-se muitas vezes de pequena proporção,
mas quando ela atinge grande parte da cidade, como no caso de trânsito
intenso e corredores de tráfego a questão passa a ser mais
ampla e generalizada, pois além de ofender os moradores próximos
às vias públicas barulhentas, atinge também os que
passam por elas, tornando-se assim um problema de saúde pública.
Já, na área trabalhista uma das principais causas da incapacidade
funcional tem sido a perda da audição pela ocorrência
do excesso de barulho no ambiente de trabalho, ou seja pela poluição
sonora a que se expõe o trabalhador. No âmbito doméstico
a poluição sonora ocorre pela emissão de ruídos
acima das especificações produzidos por eletrodomésticos.
5.
Poluição visual:
Trata-se
da degradação do ambiente natural ou artificial que provoca
incômodo visual.
O excesso
de outdoors, propagandas, cartazes etc., faz com que a cidade fique visualmente
poluída, pois estes além de deixarem a cidade feia, ainda
a torna cada vez mais suja, devido aos papéis que são jogados
na rua.
A gravidade
deste tipo de poluição será ainda maior se o bem lesado
for um bem tombado.
6.
Poluição Luminosa
Uma
das mais modernas formas de poluição é a poluição
luminosa, caracterizada pelo excesso de brilho artificial produzido pelo
homem nos centros urbanos e que tem prejudicado as condições
de visibilidade noturna dos corpos celestes. Esse tipo de poluição
vem sendo detectada por estudiosos e consta no site da Royal Astronomical
Society (www.ras.org.uk). A poluição
luminosa vem prejudicando a paisagem celeste noturna, impedindo o estudo
dos astrônomos, tanto amadores, quanto profissionais, bem como todos
aqueles que querem usufruir da visão das estrelas. A paisagem celeste
deve, como todo bem ambiental, ser preservada.
Daí
a importância dos estudos nesta área para tentar diminuir
este prejuízo visual que já atinge grande percentual de pessoal
em todo o mundo.
7.
Poluição radioativa
Para
que se fale em poluição radioativa, devemos primeiramente
definir radiação.
Radiação
é o efeito químico proveniente de ondas e energia calorífera,
luminosa etc. Existem três tipos de radiação: raios
alfa e raios beta, que têm a absorção mais fácil,
e raios gama, que são muito mais penetrantes que os primeiros, já
que se tratam de ondas eletromagnéticas.
O contato
contínuo à radiação causa danos aos tecidos
vivos, tendo como principais efeitos a leucemia, tumores, queda de cabelo,
diminuição da expectativa de vida, mutações
genéticas, lesões a vários órgãos etc.
Assim,
poluição radioativa é o aumento dos níveis
naturais de radiação por meio da utilização
de substâncias radioativas naturais ou artificiais.
A poluição
radioativa tem como fontes :
- substâncias radioativas
naturais: são as substâncias que se encontram no subsolo,
e que acompanham alguns materiais de interesse econômico, como petróleo
e carvão, que são trazidas para a superfície e espalhadas
no meio ambiente por meio de atividades mineratórias;
- substâncias radioativas
artificiais: substâncias que não são radioativas, mas
que nos reatores ou aceleradores de partículas são “provocadas”.
A fonte
de poluição radioativa predominante é a natural, pois
a poluição natural da Terra é muito grande, decorrente
do decaimento radioativo do urânio, do tório e outros radionuclídeos
naturais.
Finalmente,
devemos lembrar que a poluição radioativa provém
principalmente de: indústrias, medicina, testes nucleares, carvão,
radônio, fosfato, petróleo, minerações, energia
nuclear, acidentes radiológicos e acidentes nucleares.
Por último
podemos observar que em qualquer dos tipos acima expostos, a poluição
pode ocorrer principalmente por meio de:
- Agentes bacteriológicos:
tendo como causas esgotos e adubos, e consistindo na contaminação
por bactérias, vírus e outros micróbios portadores
de doenças;
- Agentes químicos:
tendo como causas óleos, inseticidas, detergentes sintéticos,
adubos químicos e esgotos, e consistindo na contaminação
por meio de elementos químicos que podem destruir a fauna e a flora;
- Agentes físicos:
tendo como causas erosão, húmus, vegetação
e a própria atividade humana, resultando alteração
da cor, gosto, cheiro e temperatura da água;
- Partículas radioativas:
caracterizada pela presença de materiais radioativos das centrais
ou explosões nucleares.
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Texto:
Renata F. Martins e Antonio Silveira R. dos Santos (poluição sonora)
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