MANANCIAIS

A QUESTÃO DOS MANANCIAIS EM SÃO PAULO

    Devido ao crescimento das indústrias e da população, aliados à falta de infra-estrutura sanitária, inúmeros mananciais vêm sofrendo grande stresse e outros tanto estão sendo altamente degradados a ponto de serem extintos, principalmente nas proximidades da grandes cidades ou metrópoles, como na região Metropolitana de São Paulo, onde vivem cerca de 18 milhões de pessoas.
    Suas represas abastecedoras Guarapiranga e Billings estão sofrendo grande degradação devido ao processo de crescimento urbano em seu entorno com ocupação irregular do solo. O mesmo começa a acontecer com o complexo Cantareira onde centenas de loteamentos clandestinos vem degradando-o dia a dia, conforme noticiado amplamente pela imprensa, o que nos faz refletir meios e fórmulas de proteção aos mananciais.
    A realidade da região dentro do perímetro da Lei de Proteção dos Mananciais é de continuidade da periferia da cidade. Os vetores de crescimento em direção às represas devem-se a vários fatores, sendo os mais importantes: a concentração de indústrias e serviços, e, portanto, empregos na região e a disponibilidade de terras para construção.
    A expansão da ocupação urbana do município assumiu caraterísticas marcantes. Ao longo do século, o Poder Público procurou formalmente equiparar-se através da consolidação de instrumentos normativos para fazer frente a este crescimento. Ainda assim, constata-se que o Poder Público vem de há muito abdicando de sua responsabilidade no controle da expansão da cidade.
    Praticamente, o que ocorreu é que o setor privado assumiu de fato o controle quase absoluto da terra urbana. Como resultante negativa desse processo, tanto os moradores das áreas periféricas viram-se condenados a habitações irregulares frente à legislação – em loteamentos irregulares e clandestinos – como o Poder Público viu-se condenado a arcar com os custos de cidade cara e mal servida.
    A área de proteção aos mananciais do município de São Paulo congrega problemas de natureza diversa, resultantes do funcionamento de diferentes sistemas de infra-estrutura urbana instalados. Dentre eles destacamos o abastecimento de água; produção de energia; mecanismos de controles das enchentes; eliminação dos esgotos e os resultados do parcelamento e ocupação do uso do solo.
    Hoje, a questão dos mananciais adquiriu uma complexidade maior não por inclusão de novos componentes técnicos, mas sim pela introdução das variáveis “homem” e “participação”. O início da abertura das instituições à participação democrática – por pressões e conquistas das populações – e a polêmica e inobservância das estruturas existentes sugerem o repensar da cidade e sua gestão.
    Muitas medidas são necessárias para tentar solucionar a questão, entre elas, podemos elencar as seguintes:
- incrementar  uma política de desenvolvimento urbano adaptada à preservação dos recursos hídricos;
- inserir nos planos diretores dos municípios abrangentes dos recursos hídricos áreas especificamente protegidas de mananciais;
- conscientizar através da educação ambiental tanto do administrador quanto da população da problemática ambiental dos mananciais;
- incentivar a participação pública na defesa dos recursos hídricos;
- desistimular a construção de habitações em áreas próximas aos mananciais através de uma efetiva fiscalização;
- controlar as fontes de poluição com a implantação de sistemas de tratamento de efluentes;
- expandir a infra-estrutura sanitária na região;
- desenvolver uma gestão ambiental adequada planejando e executando reflorestamento com espécies naturais;
- incentivar investimentos preservacionistas mediante incentivos fiscais; criação de parques e áreas de preservação no entorno dos mananciais etc.
    Somente com a aplicação destas e outras medidas administrativas e da legislação conseguiremos evitar a degradação destes importantíssimos sistemas naturais de fornecimento de água.

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Texto: Renata de Freitas Martins
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